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| JOSÉ DUARTE |
Zé Duarte nasceu de frente para a Ponte Preta. Terceiro de cinco filhos, sempre morou no centro de Campinas, na divisa entre os bairros do Bosque e Proença.Viveu no meio do caminho que separa o Moisés Lucarelli do Brinco de Ouro da Princesa, onde impera o Guarani.
Duarte (também conhecido como Zé do Boné) é um caso raro de técnico de futebol que nunca foi jogador. No ano de 1950 ele juntou alguns amigos e formou a Sociedade Esportiva Proença. Seu time (amador) ganhou o Campeonato Campineiro Varzeano de 1959. Zé Duarte era técnico e coproprietário do clube. E pegou gosto.
Em 1966 começou a carreira profissional, treinado os juvenis da Ponte Preta. Andou os 700 metros da avenida dos Esportes (hoje Ayrton Senna) e foi dirigir o Guarani. Em 1969 voltou ao Majestoso e ganhou (invicto) a segundona do Paulista. Em 1971 estava de novo no Bugre. De onde saiu em 1975 para uma carreira de alta circulação. Treinou 12 clubes. Entre um e outro, frequentemente voltava a Campinas.
Em 1995, Zé Duarte topou seu maior desafio. Enfrentou preconceitos profissionais e virou o técnico da seleção feminina. Sob seu comando, o Brasil surpreendeu na Olimpíada de Atlanta em 1996. Derrotou as fortes Alemanha e Japão, chegou à semifinal e terminou em quarto. Zé do Boné revelou uma geração de craques, como Sissi e Kátia Cilene. Em 1999, pegaram o terceio lugar no Mundial dos Estados Unidos. No ano seguinte, novamente quarto lugar na Olimpíada de Sidney. Encerrou sua carreira com a conquista do Primeiro Circuito Brasileiro em 2003 pelo Saad.
A filha (psicóloga) Cláudia tem s melhores lembranças. "Ele sempre gostou de criar passarinhos. O último que tinha na casa dele faleceu uns dois anos depois de sua morte. Adorava crianças. Estava ausente de casa por causa de sua profissão, que o levava para lugares distantes. Mas se fazia presente: todos os dias falávamos com ele pelo telefone."
Zé se aposentou. E logo começou a ter problemas de saúde. Primeiro, uma úlcera no calcanhar direito. Diabético e Hipertenso, desenvolveu o mal de Parkinson. Em 8 de julho de 2004, afirmou para a filha caçula que estava sentindo que seu "bumbo" (como chamava o coração) não estava bem. Em três dias estava entubado. Teve uma última conversa com Claudia no dia 23 de Julho. "Eu disse no ouvido dele que podia morrer, que ficaríamos bem. O coração dele parou de bater segundos depois," Deixou a esposa, Angela, três filhos e um neto, Lucas. Que a mãe, Claudia, se esforça para que seja ponte-pretano.
Por Dagomir Marquezi - Revista Placar - Edição: n° 1.378 - Maio de 2013.

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